Time  one day 3 hours 49 minutes

Coordinates 2459

Uploaded October 19, 2014

Recorded October 2014

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10.28 mi

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near Candal, Viseu (Portugal)

Os Perdigueiros em autonomia, entre as serras da Freita e São Macário.

Esta foi a primeira vez que o grupo regressou a montes e vales depois da saída do Marão em Julho. A necessidade de adquirir e/ou aprofundar técnicas de progressão e de dar ênfase a questões de segurança, levou o grupo a equacionar o tema da formação.

O procurement entretanto desenvolvido acabou por nos colocar em contacto com a "Espaços Naturais" de Pedro Guedes que organizou e conduziu este primeiro módulo.

Uma nota de apreço pela qualidade do trabalho, profissionalismo e bom humor. Recomendável apesar de me ter perdido um bastão. Tratarei de lhe perder os ferros da tenda ...

Difícil, pela dureza do piso, pela dificuldade de leitura dos trilhos (há quem ache que tirando a água, nem as cabras por lá passam), pelo acentuado dos declives e pelo estado escorregadio das rochas molhadas por uma chuva miúda mas persistente só interrompida por um nevoeiro que se manteve ao longo da tarde.

Com início em Póvoa das Leiras cerca do meio dia, a primeira parte do percurso desenrolou-se ao longo do "Trilho Inca", do qual infelizmente se perdeu por força da chuva e do nevoeiro o gozo do impacto visual. Estreito e sempre a subir, é necessário pisar muita rocha escorregadia com ravinas acentuadas.

Relativamente curto (menos de 2 Kms), este primeiro segmento inflecte à direita (após pequena paragem de descanso para um snack), levando-nos encosta acima (cerca de 1 km de subida), até ao Alto da Cota e à linha das eólicas na Serra da Coelheira. Aí, volta-se à esquerda durante cerca de 100 metros percorrendo um estradão do qual se sairá novamente à esquerda para começar uma descida longa, cujo declive se acentuará progressivamente até à "Garra da Águia" e à travessia do rio Paivô.

A partir desse ponto (eólicas) e apesar de o trilho estar marcado, a sua leitura é de bastante maior dificuldade e as possibilidades de o perder, ainda que momentâneamente, são reais. Cerca de 1,5kms depois de abandonar o estradão junto das eólicas, é necessário efectuar uma mudança de rumo, virando à esquerda (o local está marcado por uma afloração rochosa), para atacar a descida com maior declive que nos levará até junto do rio Paivô. Antes disso, tempo para mais um snack.

Esta última descida até ao rio (são cerca 900 metros), exige muita atenção por ser propícia a escorregadelas, tropeções e quedas sempre que se baixa a guarda e o excesso de confiança se instala. A leitura do trilho, passo a passo, com uma selecção criteriosa de onde colocar o pé é a única defesa para as quedas.

O rio é atravessado por uma ponte não referenciada nas cartas. Basicamente trata-se de duas traves em madeira cobertas por algumas lages de xisto. Em baixo, a corrente corre rápida engordada pelas chuvas recentes.

Na outra margem, após mais um snack (o terceiro do dia), começa uma subida dura até ao topo de Mato de Belide. Se a subida vista da margem contrária (da Garra) já deixava adivinhar que a experiência iria ser dura, a realidade dissipa quaisquer dúvidas. Duas ou três pequenas paragens são aconselhadas aos não atletas. É um ganho de altitude de cerca de 250 metros em aproximadamente 1.000 metros andados.

No topo de Belide sopra o vento, faz frio mas há rede. Pequena pausa para telefonemas e fotos (Regoufe e as minas ficam a norte, com a Prova, ponto mais alto da zona, quase ao alcance da mão) e inicia-se, após viragem à direita, a descida para Drave por um estradão que se vai degradando e estreitando passando progressivamente a um carreteiro sem idade. Cerca de 3,5 kms adiante estamos em Drave, um resquício de outros tempos.

Metida numa espécie de buraco, debruçada sobre o rio, é uma aldeola que se consumiu até ao último habitante. Se é certo que os vivos não quiseram lá ficar, não é menos verdade que os mortos lhe são igualmente avessos. Nunca lá ficou nem ficará nenhum. A terra não tem cemitério.

Aparentemente, povoação mais perdida dificilmente se encontrará. Perdida ou reencontrada, porém, só o tempo dirá. Tudo depende do que os escuteiros por lá fizerem. Certo é que chegar lá, só a pé. Sem acessos, sem cemitério, sem luz eléctrica e sem saneamento, tem porém uma capela e uma torneira da qual corre água. Bebe o corpo e bebe a alma.

É em Drave que se pernoitará. Montar tendas (é sempre hilariante), preparar refeições, descansar ossos doridos, músculos massacrados e tentar dormir. O terreno inclinado, o ruído do rio e o pouco hábito a estas andanças não ajudam a um bom sono. Faz-se o que se pode. O bom humor aguenta-se.

Nota para os escuteiros, "owners" de Drave, que nos receberam com grande hospitalidade, permitindo-nos o acesso à cozinha e oferencedo-nos um belíssimo café.

O dia seguinte começa com um pequeno almoço animado (incrível o que se come nestas circunstâncias). Entre o jantar e o pequeno almoço poderia escrever-se um largo tratado de nutricionismo que inclui desde a morcela à marmelada, passando pelo salmão fumado, massas liofilizadas e aguardente velha, tudo consumido nas sequências mais variadas.

Depois de esgotadas todas as desculpas para atrasar a retoma do percurso, regressámos pelo mesmo caminho do dia anterior, em direcção a Mato de Belide. Cerca de 1.2 kms andados saímos do carreteiro e lançámo-nos pela esquerda, encosta abaixo, em descida acentuada e em direcção ao rio, com um pequeno descanso intermédio.

O rio Paivô foi passado a vau dada a inexistência de ponte nesse local. Alguma indecisão entre atravessar descalços ou calçados. A maioria decidiu-se por manter os sapatos. Foi aqui que o Pedro empurrou pelas costas o meu bastão para as águas turbulentas. Foi-se num AI!!!

Pausa para secar o que era possível secar (basicamente escorrer água das botas) e começa uma subida contínua de cerca de 2,3 kms com um ganho de altitude de cerca de 600 metros. Duas paragens para descanso e snacks, uma delas no mesmo local em que no dia anterior tinhamos parado antes de virar à esquerda para a descida até ao rio. A partir desse ponto e até às eólicas o trilho é o mesmo do dia anterior.

Nas eólicas, viragem à direita durante cerca de 600 de metros e começamos a descida, também à nossa direita e largamente em corta mato que por cerca de 900 metros nos leva até ao alcatrão. 500 metros mais adiante chegamos ao estacionamento de Póvoas das Leiras.

Objectivo seguinte: encontrar cerveja, panados, tremoços, amendoins, batatas fritas, pistácios. Para os mais delicados: coca cola e bolas de berlim.

Para o mês há mais. Serra da Estrela.

Participaram: Para além do Pedro Guedes, Adelino Miranda, António Simões, Nuno Carvalho, José Rolo de Sousa Sr., José Rolo de Sousa Jr. e Carlos Sampaio.

Waypoint

Almoço

Almoço depois do trilho Inca
Waypoint

Descanso I

Descanso I
Waypoint

Vista

Waypoint

Descanso

Descanso
Waypoint

Vista rio Paivö

Vista rio Paivö
Bridge

Ponte

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Subida para Mato Belide

Mato Belide
Summit

Mato de Belide

Mato de Belide
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Drave

panorama

Panorama

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Descanso

Descanso
River

Travessia a vau do rio Paivô

Travessia a vau do rio Paivô
panorama

Vista na subida para as eólicas sobre o rio Paivô

Vista
Waypoint

Descanso

Descanso
Waypoint

Descanso retorno

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Descanso

Waypoint

Eólicas

Eólicas

2 comments

  • Manuel Pedro Barros Oct 21, 2014

    Parabéns pelo percurso. Conheço muito bem a zona e recomendo, apesar da sua dificuldade!

  • Photo of José Rolo de Sousa

    José Rolo de Sousa Oct 21, 2014

    Olá Manuel. Obrigado. É de facto uma zona muito interessante e difícil. Pergunto-me como será na primavera. Não haverá melhor forma para saber que regressar e ver. Certo? :)

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