Time  8 hours 50 minutes

Coordinates 4039

Uploaded October 26, 2020

Recorded October 2020

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near Cabanas de Torres, Lisboa (Portugal)

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O percurso

Este é o mais desafiante dos percursos pedestres da Câmara Municipal de Alenquer. Mais desafiante, e para mim que amo a montanha, um prazer já que nos traz um cheirinho da lonjura e da pureza dos espaços afastados do bulício dos homens.
É um percurso não marcado, que tem de ser feito com gps ou cartas topográficas. Trata-se de mais um dos PRs da CM de Alenquer que não saiu do projecto, não foi marcado no terreno, nem tem sido actualizado ao longo de mais de uma década que decorreu. Por isso mesmo, logo no início, deparámo-nos com zonas intransitáveis e quer aí quer na fábrica do Gelo tivemos que adaptar o trajecto. Tal como fiz em outros casos idênticos, atribuí-lhe um número seguido da letra H, neste caso PR2H, será actualizado um dia que a Câmara / Federação o oficializem.

É uma caminhada exigente, pela combinação de distância e desnível, que no entanto qualquer caminheiro em normais condições físicas fará sem dificuldade; mas, como em qualquer montanha, as condições metereológicas podem mudar abruptamente, e por isso convém ir prevenido com agasalhos e meios de orientação.

O dia estava "farrusco", e sendo o percurso longo e o pôr de sol às 19h, poucas fotos fiz...





Chegados a Cabanas de Torres, estacionamos o carro no Largo da Faia onde encontramos, num nevoeirento e frio Sábado de Outono, uma vendedora com castanha, azeite e feijão de boa qualidade e a bons preços - não podíamos perder, e só depois das compras partimos para o nosso extenso périplo. Saímos do larguinho, duas voltas pela aldeia e rápido estávamos na natureza, rumo a oeste. Primeiro caminho, depois um trilho que nos leva a um olival.

- andam perdidos?
perguntam dois locais que por ali estavam a tomar conta de um fogo que atearam a madeiras e outros desperdícios.
- ali por cima passam... passar, passam, mas ficam com as canelas em bom estado, aquilo é só mato!

Fomos teimosos e seguimos, subimos o olival, demos a volta toda, que curta é, e aparecemos de novo no sítio da fogueira. Lá em cima, por onde seguia o trilho previsto neste PR, já não há caminho, só mato. Mas o olival é bonito, a paisagem no topo ainda melhor, na luz difusa das névoas que se levantavam lá em baixo na distância. Por isso deixei ficar esta volta ao editar o registo do percurso.

Acabamos por descer ao estradão e por aí seguimos até que encontramos onde retomar o trilho gps original, na Portela do Sol. Atravessamos o pequeno lugar, e à saída tomamos um trilho, bonito e agradável de fazer neste dia calmo de fins de Outubro. Mais uma vez seguimos por uma alternativa, mais ou menos paralela ao orginal, que estava cheio de mato.
Atingimos um caminho rural que descemos durante um bocado até que tomamos à direita um caminho entre campos que faz shortcut a um V sem nada de particular do track gps original, compensando deste modo o excesso de quilometragem feito antes.

Estamos já a caminhar na Paisagem Protegida da Serra de Montejunto. Caminhos velhos de pastorícia ainda usados, as provas estão no chão por todo o lado. Os trilhos e caminhos levam-nos a subir sempre, sempre. Paramos junto a uns penedos, mirando a paisagem e comendo um snack. Começamos a vestir de novo a roupa que progressivamente havíamos retirado. O dia esfria, e a altitude não ajuda.
Na cumeada há uma autêntica sementeira de moínhos, alguns em ruína, outros a brilhar.

Acabamos por atingir a estrada de asfalto que leva à Fábrica de Gelo e ao velho quartel, que percorremos durante umas centenas de metros, até que chegamos à Lagoa de Montejunto (o "ouvido do mar"). Daí segue-se por junto do quartel, até que... o percurso original passa na Fábrica do Gelo, agora encerrada num terreno vedado. Mais uma alteração, fomos então contornando sempre a cerca, dando a volta a todo o terreno. Esta volta, sob a sombra de enormes castanheiros, permite ver atrás da rede os tanques do gelo e o edifício do silo ou poço onde era armazendado. Tudo está encerrado e em obras.
Acabada a vedação estamos em pleno parque de merendas. O parque, com mesas, água, assadores e um café, estende-se sob as copas dos grandes castanheiros, e encontramos dezenas de forasteiros a apanhar castanha, disseram-nos que é de grande qualidade.
Aproveitamos para almoçar rápido, está bastante frio e uma chuva miudinha cai de vez em quando. Acabado o almoço e o tomado o café acabadinho de fazer, retomamos o caminho, que nos leva de novo ao longo da floresta, pelo percurso da Biodiversidade. Muito bonito este troço e muito informativo, graças aos grandes e claros paineis que se distribuem ao longo do mesmo. Num dado ponto deixamos esse percurso, para inflectir à esquerda, de forma a descrever um grande anel e voltar à lagoa (com mais uma pequena alteração no final, os últimos 100 metros são agora caminho privado.

Daí fomos ao cruzamento de estradas e tomanos o trilho que vai desembocar mais acima na Calçada dos Frades, velho caminho que serviu para a construção do convento e para acessos de frades e população.
Em breve estamos no topo da serra, visitando o convento e as duas ermidas - Senhora das Neves e a de São João Baptista.

Depois de uma volta rápida pelos monumentos, tomamos finalmente o "Carreiro da Senhora", um caminho de pé posto que dali arranca e que segue serra abaixo, parecendo sempre que nos leva ao abismo, mas afinal assim não é, é em segurança e sem problema que ao fim de 4 km estamos lá em baixo em Cabanas de Torres, de novo no ponto de partida. Penso que o nome do trilho vem do facto de ser usado pelos romeiros que acorriam ao alto da serra em veneração da Senhora das Neves. Este troço é épico, um estreito carreirinho colado a um dos acidentes geológicos da serra, aberto pelo meio do carrasco, o chão de terra vermelha e pedra calcária, as cristas retorcidas da serra sempre à nossa direita, e uma paisagem sem fim pela frente, banhada na luz do final de tarde. Não conseguimos aqui andar depressa, também por que o terreno não o permite, mas acima de tudo pela necessidade imperiosa de gozar o momento.


Cabanas de Torres

Reza a crença local que a povoação terá sido fundada por gente vinda de Torres Vedras, fugindo de uma peste, talvez no século XV, e que ali construíram as suas cabanas.
Na povoação há uma modesta igreja, de desenho bem proporcionado. Aqui terá existido uma capela dedicada a S. Roque, erigida no local do primitivo e tosco altar, do tempo da fundação da aldeia, e onde se encontrava a imagem do santo. A capela acabou por ruir, e a imagem do santo foi então para a Abrigada.


Serra de Montejunto ou Serra da Neve

Nada melhor do que a obra de Raul Proença, o Guia de Portugal editado peal Fundação Calouste Gulbenkian, para nos elucidar:
"... A serra, sem arvoredo, só osso, um osso roído e cariado, toda esboroada em pedras e cascalhos, é um dos espectáculos de maior secura e desolação que se podem ter em Portugal..."
" O principal maciço do Montejunto é composto pelos calcários da base do Jurássico superior que vimos antes de chegar a Torres, pelos calcários do jurássico médio. A sua cumiada, que atinge a alt. de 666m, é formada por estas últimas rochas.
Corta-a de leste a oeste uma falha que põe as suas camadas mais profundas em contacto com o jurássico superior, e faz com que haja um planalto cuja alt. é de cerca de 520 m. O referido planalto forma uma bacia fechada, quer dizer, as águas que recebe não têm escoante à superfície do solo: infiltram-se no interior da montanha por cavidades cujo orifício superior, em forma de funil, é conhecido palo nome de algar, e brotam em nascentes na raíz da montanha, ou vão alimentar nascentes situadas a maior distância"


Da Wikipedia:
A Serra de Montejunto integra o Sistema Montejunto-Estrela e localiza-se nos concelhos de Alenquer e Cadaval. É o miradouro natural mais alto da Estremadura, elevando-se a 666 m de altitude, tendo 534 metros de proeminência topográfica e 53.41 km de isolamento. Esta estrutura geológica, com 15 km de comprimento e 7 km de largura, é rica em algares, grutas, lagoas residuais, necrópoles e fósseis pré-históricos.
A serra de Montejunto está englobada no Maciço Calcário Estremenho. Estes calcários apresentam formações cársicas características originadas pela erosão. As escarpas que caracterizam a paisagem são os biótipos mais importantes da serra.
Para além de um carvalhal reliquial e de endemismos próprios dos calcários do Centro de Portugal, existem taxa endémicos ou raros em Portugal que aqui se encontram localizados, havendo outros que, na sua limitada distribuição geográfica, têm aqui uma boa representação.
Em termos faunísticos, em particular no que diz respeito aos quirópteros, trata-se de uma zona de grande importância, não só de hibernação como também de reprodução. Este sítio é constituído essencialmente por um abrigo muito importante na época de criação para uma colónia de morcegos-rato-grande (Myotis myotis), assim como do morcego-de-peluche (Miniopterus schreibersi).


Perto do quartel existe uma lagoa, que nunca seca, mesmo nos meses de maior canícula. Segundo a crença popular, esta lagoa está ligada ao mar por um braço que flui desde Sintra até ao Montejunto. A lagoa era chamada de "Ouvido do Mar" e dizia-se que animal que lá caísse nunca mais era visto.


Convento Dominicano

Foi considerado o primeiro convento Dominicano português, deverá ter sido construído, tal como a capela, no séc. XIII, e fizeram-se muitos achados interessantes durante as obra realizadas já em 2004 - 2005. No séc. XVIII os frades tentaram a reconstrução, mas nunca foi acabada. Mas também em 2004 e 2005 surgiram descobertas que colocam em causa a existência do convento antes do séc. XVIII...
Pouco acima estão as ruínas do Convento da Reforma. Em 1760 os dominicanos regressam à serra para tentar construir outro convento do qual resta apenas uma enorme parede, do lado sul da ermida de São João Baptista. O Marquês de Pombal impediu a conclusão do convento, pois suspeitava dos dominicanos que estariam envolvidos na chamada Conspiração da Reforma de Montejunto. Na verdade, face à situação hostil que na altura eles viviam, os dominicanos tentaram promover uma reforma e o ponto central seria em Montejunto mas nem assim o Marquês lhes deu essa oportunidade.


Ermida de Nossa Senhora das Neves

No cimo da Serra de Montejunto, ergue-se a Capela de Nossa Senhora das Neves, local de romarias pelo menos desde os tempos medievais. Sabe-se apenas que a sua construção é anterior à construção do primeiro convento Dominicano, construído no topo da serra no século XIII.
Esta Capela prima pela simplicidade, possuindo apenas uma imagem de Nossa Senhora das Neves do século XVI. Possui um painel de azulejo na nave lateral alusivo à história da ordem do Dominicanos.
Junto ao altar-mor encontra-se uma campa rasa com a seguinte inscrição: “AQUI IAS B(EL)CHIOR A NUNES MOSSO DA CAMARA DO INFFANTE DO DUARTE”.

Segundo O Guia de Portugal da Fundação Calouste Gulbenkian, terá sido a primeira casa dos frades de S. Domingos em Portugal, fundada por frei Soeiro Gomes em 1218, já com o mosteiro em contrução.

A sua maior riqueza é o enquadramento geográfico, localizada no alto da Serra de Montejunto “Varanda da Estremadura”, e a sua vasta história. Anualmente, a 05 de Agosto, realiza-se uma romaria à referida capela.


Ermida de São João Baptista

Sabe-se apenas que a sua existência era referida pelas fontes mais antigas e, segundo algumas destas, o pequeno templo já existia no séc. XIII aquando da construção do mosteiro.
De construção pequena, rude, monolítica e antiga, é formada em pedra calcária. A fachada apresenta uma porta de grades em arco de volta perfeita para um pequeno alpendre, sendo a porta para o interior em moldura de verga reta.
É em 24 de Junho que esta ermida é alvo de peregrinações desde a localidade de Cabanas de Torres e onde se realiza uma missa em honra aos peregrinos e ao Santo Mártir São João Batista.

Interessante programa da Antena 1 sobre os monumentos de Montejunto: https://www.rtp.pt/play/p3534/e389630/vou-ali-e-ja-venho


Real Fabrica do Gelo

Foi no séc. XVI, durante a dinastia Filipina, que foi importado o gosto pelos gelados e bebidas frescas durante o verão. A capital ansiava por gelo, e a serra do Coentral não era capaz de satisfazer a procura. A Real Fábrica foi construída em 1741, por frades dominicanos, e representa um grande avanço na produção de gelo de qualidade, em tanques e não por recolha daquele que se amontova com o vento.
A partir dos inícios do Outono, os tanques rasos ficavam cheios de água, até que quando sucedia uma noite fria, o gelo formava-se. O guarda da fábrica ia a correr a cavalo à Pragança, tocava uma corneta e aí vinhem os operários serra acima, para ainda antes do nascer do sol paritrem as placas de gelo e arrumarem os estilhaços em silos onde eram conservados até ao verão.

Chegado o Verão, vinha ainda o mais difícil. o Gelo era cortado em grande blocos, embrulhado em palha e serapilheiraque eram carregados no dorso de burros para descer a serra; aí passavam a carroças que seguiam em correria até à Vala do Carregado, onde os eperavam os "barcos da neve", para levarem os precisos e gelidos blocos até à sede do Reino, para fornecer a mesa real e os cafés da baixa.

O espanhol Julião Pereira de Castro, que explorava os poços de neve do Coentral, ficou também com a fábrica de Montejunto, garantindo desta forma o monopólio da exploração do gelo em Portugal. Além disso, o neveiro da casa real e a sua família eram proprietários de grande parte dos cafés da baixa de Lisboa. A sua filha e neto sucederam-lhe no negócio de fazer gelo natural...


Estação da Biodiversidade de Montejunto

Trata-se de um percurso pedestre circular de 1,8 km ao longo de típicos matos mediterrânicos calcários, e incluíndo uma fantástica floresta dominada por castanheiros. Há nove painéis informativos ao longo do caminho.
Espécies a destacar: borboleta-aurínia (Euphydryas aurinia), esfinge-da-eufórbia (Hyles euphorbiae), maleiteira-maior (Euphorbia characias), flor-dos-macaquinhos-dependurados (Orchis italica uma orquídea), rosa-albardeira (Paeonia broteri), erva-besteira (Helleborus foetidus), campainhas-amarelas (Narcissus bulbocodium).


Links para os outros Percursos Pedestres de Alenquer:

Alenquer PR1 - 16.53 Km - Rota das Encostas da Serra
Alenquer PR2H - 22.61 Km - Carreiro da Senhora (alternativa viável)
Alenquer PR3H - 10.94 Km - Charneca de Ota
Alenquer PR4 - 14.19 km - Rota dos Moínhos
Alenquer PR5 - 12.43 Km - Rota de Santa Quitéria
Alenquer PR6 - 11.87 Km - Rota de Nossa Senhora da Encarnação
Alenquer PR9H - 13.54 Km - Rota das Cerejas

O site dos percursos pedestres de Alenquer:
--> Percursos Pedestres de Alenquer
Provisioning

Café

Monument

Calçada dos Frades

Waypoint

Campo de futebol abandonado

Waypoint

Carreiro da Senhora

Monument

Casa de Guarda Florestal

Monument

Casa de Guarda Florestal

Religious site

Convento Dominicano

Religious site

Ermida de Nossa Senhora das Neves

Religious site

Ermida de São João Baptista

Waypoint

Estações da Biodiversidade

Waypoint

Fronteira do concelho do Cadaval

Fronteira concelho Cadaval
Lake

Lagoa de Montejunto

Monument

Moínho

Monument

Moínho e vistas

Monument

Moínho

Provisioning

Moínhos - Curral do Burro

Waypoint

Olivais

Waypoint

Paragem de autocarro coberta

Picnic

Parque de merendas

Bridge

Ponte

Waypoint

Portela do Sol

Monument

Real Fábrica do Gelo

Waypoint

Ruína de casarão

Waypoint

Velho caminho

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