Moving time  6 hours 52 minutes

Time  7 hours 47 minutes

Coordinates 6024

Uploaded February 17, 2019

Recorded February 2019

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near Parque das Nações, Lisboa (Portugal)

O Caminho do Tejo acompanha a Linha do Norte da CP até Santarém, passando mesmo por dentro ou junto a várias estações e apeadeiros. Torna-se, por isso, fácil programar uma peregrinação por jornadas com regresso diário a casa.
Foi o que fizemos.
Decidimos fazer o caminho em 5 jornadas:

Jornada 1. ESTAÇÃO do ORIENTE - ESTAÇÃO de VILA FRANCA de XIRA

Jornada 2. ESTAÇÃO de VILA FRANCA de XIRA - APEADEIRO de REGUENGO, VALE da PEDRA

Jornada 3. APEADEIRO de REGUENGO, VALE da PEDRA - ESTAÇÃO de SANTARÉM

Jornada 4. ESTAÇÃO de SANTARÉM - OLHOS DE ÁGUA do ALVIELA

Jornada 5. OLHOS DE ÁGUA do ALVIELA - FÁTIMA

Os dois últimos destinos estão longe de estações da CP. No Carsoscópio dos Olhos de Água do Alviela existe um centro de acolhimento a 6,5€ para quem utiliza saco cama próprio e 10€ se usar roupa de cama do centro (acresce 1€ em época alta). Necessita de reserva tel. +351 249 881 805.
Em Fátima existem autocarros expresso a várias horas e existe também um serviço de alojamento de peregrinos (tel +351 249 539 606) além de uma grande variedade de outros alojamentos.

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Carro estacionado no parque gratuito junto à estação de Vila Franca de Xira às 7h15m e às 7h21m entramos no comboio. 20 minutos e estamos na bela estação do Oriente. Atravessamos a Av. D. João II e, pela rua do Caribe, dirigimo-nos ao Pavilhão de Portugal. Impressiona-me sempre a colossal pala da autoria de Sisa Vieira; a simplicidade de "uma folha de papel" agiganta-se na conceção de um génio. Passamos por baixo em direção ao Cais Português. As gaivotas perfiladas sobre o varandim já deram as boas vindas ao que, não há muitos minutos, nasceu. Agora, olham-nos curiosas não temendo a nossa aproximação e regalam as penas luzidias no agradável da manhã que adivinha um dia solarengo. Tudo à nossa volta tem brilho doirado que o toque de Midas do astro-rei vai distribuindo enquanto baixo no horizonte. Seguimos pelo Passeio das Tágides passando junto do lago homónimo.

«E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mim um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mim vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloquo e corrente,
Porque de vossas águas, Febo ordene
Que não tenham inveja às de Hipocrene»
(Lusíadas, canto I - estrofe 4)

Pobre de mim... átomo insignificante que sou na descrição e nos feitos. Como me atrevo a recordar a evocação do Genial Poeta. Perdoai-me!...
Absorvido nestes pensamentos quase que sou "atropelado" por uma dos muitos desportistas que aproveitam este lindo sol matinal para manter a linha. Esqueço os pensamentos porque «outro valor mais alto se alevanta»: é a Torre Vasco da Gama à minha frente. Arquitetada por Nick Jacobs e Leonor Janeiro numa alusão às naus portuguesas que vasco da Gama conduziu até à India, mostra uma estrutura de Vela enfunada cujo mastro sobe a uma altura de 140 metros. Construída para a Expo 98, com um restaurante panorâmico no topo, vê, alguns anos mais tarde, ser-lhe acopulado um edificio da autoria de Nuno Leónidas onde funciona um hotel de luxo. Passamos defronte e já seguimos pelo Passeio do Tejo. Basta-me seguir à beira de água para me sentir feliz mas aqui ainda me sinto mais, porquanto vou caminhando com o Rio à minha direita e espaços verdes à esquerda. Caminhasse num carreirinho de terra pisoteada e a felicidade de caminheiro seria plena. A estacada do Arboreto, à minha direita, lembra-me que, à esquerda, com o mesmo nome existe uma zona verde destinada ao cultivo de espécies arbóreas e herbáceas, medicinais e ornamentais, para recreio, educação e pesquisa (e não tem que ser por esta ordem). Passo e aprecio a estátua da Raínha D. Catarina de Bragança. Esta é uma réplica de outra com o quádruplo do tamanho que deveria ter sido colocada em Queens (New York). Não estando num espaço mais nobre da cidade, como merecia a princesa portuguesa que foi Rainha de Inglaterra, está olhando o Tejo de onde um dia partiu e, provavelmente, marejam-se-lhe os olhos de felicidade.
Já entrámos no passadiço que nos leva à Estacada das Gaivotas e daí ao Parque Tejo e ao Passeio do Sapal. À nossa frente ergue-se majestosa a Ponte Vasco da Gama com seus tirantes riscando o céu. Apreciando aquela grandiosidade recordo que do bairro de lata que ali existia saíram quase 300 famílias para habitações condignas, pagas pelo construtor (ou não...).
Bem, vamos lá. Temos que andar mais depressa porque há muitos quilómetros a percorrer.
Passámos o Mar da Palha e entrámos no Passeio do Trancão. Este rio viu o seu leito despoluído aquando da preparação da Expo 98 (abençoada Expo). Ainda que não confie na sua higiene total, o cheiro nauseabundo e o aspeto de esgoto ao ar livre desapareceram. Que bom!...durante alguns quilómetros iremos seguir as suas margens. Passamos por baixo dos viadutos da A30 e da Linha do Norte e começamos logo a ver o grande Sifão do Canal do Alviela. Com 45,5 m de corda e 13,5 de flecha é uma obra de engenharia notável. Construído na década de 80 do século XIX para que as águas provenientes dos Olhos de Água passassem além Trancão. Por volta de 1940, Duarte Pacheco manda construir e colocar de cada lado do sifão duas colossais esculturas de aguadeiros vertendo o precioso líquido das suas bilhas. Sabe-se lá porquê, ainda não eram decorridos dois anos e estas estátuas foram apeadas e quebradas. Resta-nos agora, para recordação e benefício da imaginação, uma das cabeças aprisionada numa estrutura metálica no sítio onde se encontrava, de joelho no chão sobre um pedestal, a figura cuja sorte foi a decapitação e esquartejamento.
Pensando nisto, nem reparámos na seta indicadora do bom caminho e, cem metros volvidos tivémos que voltar atrás para atravessar a N10 e continuar junto ao Trancão, agora na margem esquerda.
Passamos sob a ponte da A1 e admiramos a estrutura em betão armado em que cinco conjuntos de seis arcos concêntricos vencem os cerca de 330 metros do vale do Trancão. Quem terá sido o arquiteto de tão bela e espetacular obra?... sabemos que data de 1959 fazendo parte do primeiro troço construído da A1.
Caminhamos agora numa zona agrícola alimentada pelo rio que vimos seguindo nos últimos quilómetros. No rio vamos apreciando as garças, patos e gaivotas que por aqui vão voando. Voando e rugindo começam também a aparecer os aviões provenientes da Portela. Tantos e tão ruidosos. Bolas!... nem nos ouvimos pensar.
Em Alpriate paramos para o imprescindível cafezinho de que alguns de nós não abdicam.Pouco depois caminhamos numa zona com água e lama onde se torna difícil não enterrar as botas até ao cano.
vencido este obstáculo e caminhando sempre pelo vale chegamos ao Forte da Casa. Daqui à Póvoa de Santa Iria foi um pulinho. Não fora a dureza do asfalto e nem teríamos dado por isso.
Novo encontro com o Tejo numa zona muito bonita: A Praia dos Pescadores. Entramos num parque onde alguém andou a espalhar o espólio da Somague: são várias peças de ferro utilizadas nas construções e que agora por aliu repousam ao jeito de esculturas. Depois vem o passadiço do Trilho do Tejo que atravessa o sapal à beira Tejo. Um projeto que «devolveu o rio à população» e permite a quem por aqui passa usufruir desta zona ribeirinha e observar uma quantidade inusitada de aves: as ruidosas gaivotas; os guinchos com a cabeça e o rabo pretos contrastando com a alvura do papo e o cinza claro das asas; os maçaricos-das-rochas e os apressados pilritos, sempre a bicar na lama; as fofas felosas esvoaçam de caniço em caniço. No final do passadiço, numa estrutura de madeira própria para observação de aves, junto à foz da Ribeira da Verdelha, abancámos para o merecido almoço que transportávamos nas mochilas.
Meia hora depois já estávamos de novo a caminho. Mochilas mais leves barrigas mais pesadas. Seguimos pelo Trilho da Verdelha. Por entre canas e caniços vamos avistando algumas galinhas de água e, inflizmente muitos plásticos e porcarias que ali vão para sem ser por artes mágicas.
Vamos lá que o caminho é prá frente. O Trilho da Estação vem a seguir e leva-nos até à dita de Alverca. Antes de atravessarmos para o outro lado da linha, pela passagem superior, passamos junto às OGMA com os seus murais representando um Gago Coutinho e o Lusitânea e o outro um atual piloto de F-16 com a respetiva aeronave. Dou ainda um saltito à rede do Museu do Ar para fotografar, entre arames, dois exemplares da FAP, depois corro para alcaçar os meus companheiros já do outro lado da linha.
Saimos de alverca por um carreiro por detrás de uma escola e seguimos para a zona industrial que atravessamos até chegar à A10. Aqui começa o martírio da estrada super povoada de carros e camiões e passeios inexistentes. Foram os piores 2,5 Kms feitos nesta jornada.
Bem, o pior já passou e estamos numa parque muito bonito. Seguimos agora pelo Passeio Pedonal Ribeirinho que liga Alhandra a Vila Franca de Xira. Extraordinariamente agradável este passeio. No Cais da Jorna lemos, de fugida, as palavras de Álvaro Guerra sob o seu busto, colocado muito perto da Fábrica das Palavras. Creio que gostaria do sítio. A Homenagem ao Cais da Jorna onde aportaram tantos jornaleiros quando dos campos saía alimento à custa da força dos braços...
A nossa atenção já se volta para a Ponte Marechal Carmona que vemos ao longe e iremos passar debaixo na próxima jornada.
Um pouco mais e chegamos ao destino, mas não abalamos sem antes apreciar, bem apreciado, o mural de Vile dedicado a Alves Redol na terra que o viu nascer e florescer como um expoente do neo-realismo português.
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A folha de papel pousada em dois blocos de Sisa Vieira

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Gaivotas perfiladas admirando escultura e arquitectura

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O parque do Gil

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Arte na água

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De teleférico até à Torre

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Pinheiros à beira-rio

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A Torre Vasco da Gama

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Uma 'passagem para a outra margem'

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Caminhando entre jardins e rio

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Catarina de Bragança indiferente a quem passa

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Passadiço maravilha

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A Ponte

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Um belo graffiti

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Viadutos

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O Sifão do Canal do Alviela

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A Cabeça do Aguadeiro

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A ponte da Auto-estrada

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O Rio Trancão

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Seguindo o rio

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Eh pá!...

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Uma bela casa... em ruínas.

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Nicho em Alpriate

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Peregrinando para o pasto

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Barlias Robertianas

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Sem dúvida, estamos no Forte da Casa

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Por aqui passámos hoje em sentido contrário

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Vistas com arte de um belo caminho

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O espólio, o passadiço e o lodo no sapal

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Passeio Ribeirinho

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Os canais do sapal

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à beira da Verdelha

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Arte com asas

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Riscos

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O derradeiro carreirinho

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tantas verdades na lona da galera

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A cimenteira (sem comentários)

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O Tejo a perder de vista

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O melhor de Alhandra

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O Cais

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Velha relíquia

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Mural de Vile no Caminho Pedonal Ribeirinho

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Vile Pedagógico

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Um Passeio Ribeirinho muito agradável

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A outra margem muito longe

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O espelho do Tejo

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Arte no horizonte

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«Ao futuro entregarei sempre o melhor do meu passado»

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Homenagem ao Cais da Jorna

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O Cais

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Sonhando com Gaibéus e Avieiros

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