Time  6 hours 6 minutes

Coordinates 2367

Uploaded May 9, 2018

Recorded October 2017

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near Sandiás, Galicia (España)

Deixamos o Albergue pouco depois das sete e fomos ao Bar Estanco para o pequeno-almoço e devolução das chaves. O mesmo atendimento rude e pouco simpático do dia anterior. E para além disso, pouco interesse em servir. Pedimos café "americano", apareceram duas miniaturas. Tivemos que refilar até que ele se dispôs a tirar outros em chávena grande.Tostada? não faço. Pão? o padeiro ainda não veio. Uma madalena embalada e fomos para a rua.

Quilómetros de asfalto, felizmente animados pelo sempre cativante espectáculo do nascer do dia. Finalmente viramos para Coedo, em Piñeira de Arcos, e embora continuasse o asfalto, a paisagem circundante era agora rural e mais bela. Subimos sempre até que às portas de Coedo entramos à direita e com grande gáudio, na terra.
Antes de chegar a Torneiros, fizemos um desvio à direita para ir visitar a Ermida de Nossa Señora de Puertas Abertas. Ida e volta são menos de 800 metros e vale a pena ir conhecer o santuário.

Passamos Torneiros.
O caminho tem algo de especial agora. Chegamos a O Salvador, onde tínhamos previsto fazer uma pausa e comer.
Ficamos junto da muito antiga igreja de San Salvador dos Penedos. Um austero templo românico no interior do qual se encontra uma rara e bela obra de arte, um Cristo crucificado em madeira policromada do séc. XI (pena estar fechado). Foi aqui que senti pela primeira vez neste CPI a presença telúrica dos milhares de almas que rumaram a Compostela ao longo dos séculos. Uma presença que nos envolve logo que nos aproximamos e que me acompanhou ainda durante toda a velha e bucólica calçada que desce dali em direcção a Paiocordeiro. Há algo de místico em todo aquele entorno onde o silêncio e a calma imperam, demorámo-nos a engolir o farnel - que tivemos que compartilhar com os burros que se aproximaram, vindos de um centro de preservação que fica logo abaixo.

Depois é de novo o asfalto que nos serve de guia até Allariz. Uma cidade que merece bem que cheguemos cedo, para poder calcorrear demoradamente todo o seu medievo "casco antiguo". Repleta de monumentos e recantos de interesse, limpa, profusamente dotada de painéis informativos, e com muiiito onde comer, beber e tapear. Pena que as casas só abram às 8 ou 9 da noite, quando o peregrino já só pensa em dormir.

Como o albergue está fechado, marcamos via booking o Hostal Alarico, quarto de casal por 40 euros, sem p.a.
Para comer a nossa tábua de salvação foi o Penedo da Vela, ali mesmo no centro (waypoint incluído), quer para tapear à tarde quer para jantar. Às 19:30 já estávamos a pedir um bistec de ternera (6 eur) bem acompanhado por uma Voll Damm... convém notar que nesta data era a Festa do Boi em Allariz!

O CPI

O Caminho Português do Interior é um dos trajectos utilizados pelos peregrinos Portugueses para chegar a Santiago de Compostela. Por ele seguiam os que partiam da zona Centro, em redor de Viseu, e, claro, todos aqueles que viviam no eixo Viseu > Chaves. Também de Coimbra alguns seguiam por esta via, quando queriam evitar o Caminho Central que seguia via Porto > Valença, ou pretendiam juntar-se a outros grupos que partiam do interior.
Os peregrinos da Via da Prata, que segue de Sevilha até Astorga, onde se junta ao grande Caminho Francês, na maior parte das vezes deixavam a via da Prata em Granja de Moreruela onde tomavam a Via Sanabresa; outros saiam antes, em Zamora, entravam em Portugal por Quintanilha e saiam por Vinhais, atingindo depois Verin. Em qualquer caso todos acabavam por se juntar e nomeadamente a partir de Ourense todos seguem o mesmo trajecto até ao Campo de Estrelas - os do Caminho Interior Português e os da Via da Prata.
Foi um dos mais bonitos dos muitos caminhos que já fiz até Santiago, sobretudo na metade portuguesa do percurso. O Outono é mesmo a altura ideal para o fazer, com os dias mais curtos, as temperaturas amenas, os céus calmos. E a paisagem é espectacular, começando logo com os marmeleiros carregados, salpicando de amarelo toda a paisagem em torno de Viseu, o colorido feérico das vinhas que nos acompanha desde Reconcos, próximo de Lamego, até Vila Real, ou a beleza dos castanheiros e carvalhos vestindo-se de tons outonais até Chaves. E a abundância não tem limites: comemos toneladas de marmelos, maçãs, nozes (muitas nozes!), castanhas, amoras (serôdias!), pêras, uvas, medronhos...
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Aqui ficam os links para os registos de cada uma das etapas:
Track Integral 457 km agregador das 21 etapas
Etapa 01 15.82 km Farminhão - Fontelo
Etapa 02 17.79 Km Fontelo - Almargem
Etapa 03 24.56 Km Almargem - Ribolhos
Etapa 04 23.90 Km Ribolhos - Aldeia do Codeçal
Etapa 05 21.02 Km Aldeia do Codeçal - Lamego
Etapa 06 21.06 Km Lamego - Santa Marta de Penaguião
Etapa 07 19.68 Km Santa Marta de Penaguião - Vila Real
Etapa 08 27.50 Km Vila Real - Parada de Aguiar
Etapa 09 23.76 Km Parada de Aguiar - Vidago
Etapa 10 18.99 Km Vidago - Chaves
Etapa 11 29.93 Km Chaves - Verín
Etapa 12 21.39 Km Verín - Viladerrei
Etapa 13 24.48 Km Viladerrei - Sandiás
Etapa 14 14.01 Km Sandiás - Allariz
Etapa 15 24.05 Km Allariz - Ourense
Etapa 16 23.98 Km Ourense - Cea
Etapa 17 21.40 Km Cea - Castro Dozón por Oseira
Etapa 18 25.38 Km Castro Dozón - Lalín - A Laxe
Etapa 19 18.04 Km A Laxe - Bandeira
Etapa 20 25.19 Km Bandeira - Pico Sacro - Lestedo
Etapa 21 14.21 Km Lestedo - Santiago de Compostela
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Mapa geral da Peregrinação:
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Allariz

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