Time  10 hours 28 minutes

Coordinates 2195

Uploaded February 2, 2018

Recorded September 2017

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  • Easy to follow

     
  • Scenery

     
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near Almargem, Viseu (Portugal)

Tomamos o pequeno almoço no Libório, já tinha ficado agendado de véspera; voltamos ao albergue, pegamos as nossas coisas e às 8:00 estávamos de novo a caminho de Santiago. Foi finalmente uma etapa mais rural, longe do asfalto, com muito pinhal e... bastante sobe e desce. Uma etapa que nos agradou muito, as paisagens abençoadas por uma luz doce, filtrada por céus muito bonitos que se mantiveram todo o dia.
O primeiro ponto notável foi Cabrum, uma aldeia que perdeu o seu último habitante em 2009, e que é agora palco de uma experiência de vida diferente, por parte de meia dúzia de habitantes que obtiveram um Contracto de Cedência para esse efeito (Eco Life Experience). Está limpa, evitar-se-á talvez a ruína, mas, para mim, a alma foi-se.

Depois seguimos por um fresco e sombrio trilho e pouco depois atravessávamos um fio de água que mais adiante será o Rio Cabrum. Entramos assim no concelho de Castro Daire.
A subida é agora durinha, e em Vila Meã resolvemos para no café local para descansar. Pouco depois estávamos sob um guarda-sol com uns pratinhos de queijo, broa e salpicão, tudo cortado em cubinhos. Uma delícia, rematada por um bom café e troca de estórias de vida com o proprietário, o senhor Jorge Vicente, e pernas ao caminho.
Agora a subida até ao marco geodésico do Enviadouro é ainda mais cansativa, e na descida até Mões, ainda mesmo antes de entrar na vila, não resistimos uma imperial no Ari's Bar, que tem uma esplanada com vistas para a povoação.

Mões, grande e cheia de história (chegou a ser sede de concelho no séc. XIX), subidas e descidas, passamos sob a A24, passamos em Grijó e daí começamos a ascensão para o albergue em Ribolhos. Tínhamos reservado com o Presidente da Junta de Freguesia, o sr. José Fernandes (telef. 926975842), mas a responsável pela chave, a D. Cordália, faltou ao encontro, e depois de uma tarde de bastante calor estivemos meia hora ao frio do sol-pôr para ter finalmente acesso ao albergue, depois de muitos esforços. Ainda antes dos banhos e lavagens de roupa fomos ao Padeiro marcar o jantar.
O bom de Ribolhos foi mesmo o jantar, comida caseira e abundante, ainda deu para fazer sandes para o almoço do dia seguinte.
O mau foi o albergue. Tem capacidade para 16 pessoas, está bem equipado, com cozinha com tudo o necessário para confeccionar uma refeição, mas não há brio algum na sua manutenção. Chão imundo, as protecções dos colchões completamente sujas, almofadas num estado horroroso de sujidade, as mantas embrulhadas numa bola, sanitas e lavatórios a pedir limpeza há muito, esgotos dos duches entupidos... deplorável.

O CPI

O Caminho Português do Interior é um dos trajectos utilizados pelos peregrinos Portugueses para chegar a Santiago de Compostela. Por ele seguiam os que partiam da zona Centro, em redor de Viseu, e, claro, todos aqueles que viviam no eixo Viseu > Chaves. Também de Coimbra alguns seguiam por esta via, quando queriam evitar o Caminho Central que seguia via Porto > Valença, ou pretendiam juntar-se a outros grupos que partiam do interior.
Os peregrinos da Via da Prata, que segue de Sevilha até Astorga, onde se junta ao grande Caminho Francês, na maior parte das vezes deixavam a via da Prata em Granja de Moreruela onde tomavam a Via Sanabresa; outros saiam antes, em Zamora, entravam em Portugal por Quintanilha e saiam por Vinhais, atingindo depois Verin. Em qualquer caso todos acabavam por se juntar e nomeadamente a partir de Ourense todos seguem o mesmo trajecto até ao Campo de Estrelas - os do Caminho Interior Português e os da Via da Prata.
Foi um dos mais bonitos dos muitos caminhos que já fiz até Santiago, sobretudo na metade portuguesa do percurso. O Outono é mesmo a altura ideal para o fazer, com os dias mais curtos, as temperaturas amenas, os céus calmos. E a paisagem é espectacular, começando logo com os marmeleiros carregados, salpicando de amarelo toda a paisagem em torno de Viseu, o colorido feérico das vinhas que nos acompanha desde Reconcos, próximo de Lamego, até Vila Real, ou a beleza dos castanheiros e carvalhos vestindo-se de tons outonais até Chaves. E a abundância não tem limites: comemos toneladas de marmelos, maçãs, nozes (muitas nozes!), castanhas, amoras (serôdias!), pêras, uvas, medronhos...
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Aqui ficam os links para os registos de cada uma das etapas:
Track Integral 457 km agregador das 21 etapas
Etapa 01 15.82 km Farminhão - Fontelo
Etapa 02 17.79 Km Fontelo - Almargem
Etapa 03 24.56 Km Almargem - Ribolhos
Etapa 04 23.90 Km Ribolhos - Aldeia do Codeçal
Etapa 05 21.02 Km Aldeia do Codeçal - Lamego
Etapa 06 21.06 Km Lamego - Santa Marta de Penaguião
Etapa 07 19.68 Km Santa Marta de Penaguião - Vila Real
Etapa 08 27.50 Km Vila Real - Parada de Aguiar
Etapa 09 23.76 Km Parada de Aguiar - Vidago
Etapa 10 18.99 Km Vidago - Chaves
Etapa 11 29.93 Km Chaves - Verín
Etapa 12 21.39 Km Verín - Viladerrei
Etapa 13 24.48 Km Viladerrei - Sandiás
Etapa 14 14.01 Km Sandiás - Allariz
Etapa 15 24.05 Km Allariz - Ourense
Etapa 16 23.98 Km Ourense - Cea
Etapa 17 21.40 Km Cea - Castro Dozón por Oseira
Etapa 18 25.38 Km Castro Dozón - Lalín - A Laxe
Etapa 19 18.04 Km A Laxe - Bandeira
Etapa 20 25.19 Km Bandeira - Pico Sacro - Lestedo
Etapa 21 14.21 Km Lestedo - Santiago de Compostela
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Mapa geral da Peregrinação:
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Ribolhos
Road

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