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Coordinates 2416

Uploaded July 15, 2019

Recorded July 2019

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near Mougás, Galicia (España)

FOTOS DESTA E DE OUTRAS TRILHAS EM ”CAMINHANTES"

O “Caminho Português da Costa” aqui traçado segue principalmente a orla marítima a partir do burgo portuense passando por Matosinhos, Maia, Vila do Conde, Póvoa de Varzim, Esposende, Viana do Castelo, Caminha, La Guarda, Baiona e Vigo antes de se juntar com o Caminho Central em Redondela até Pontevedra. Aqui optamos por seguir a Variante Espiritual passando por Armenteira, Vilanova de Arousa e Pontecesures onde se volta a juntar com Caminho Central até à Catedral de Santiago de Compostela.

6ª ETAPA
PORTO MOUGÁS - VIGO


Esta etapa é a mais longa por nós realizada, são aproximadamente 40 quilómetros desde Porto Mougás até ao Kaps Hostel Vigo (local escolhido para a pernoita na cidade de Vigo). Apesar dessa contrariedade a etapa não apresenta um acumulado significativo é muito atrativa e variada com zonas de costa selvagem, serra e duas cidades muito turísticas como é o caso de Baiona e Vigo, merecedoras de uma pausa cultural e gastronómica. O inicio da jornada desenvolve-se ao longo da costa rochosa, e passa-se por vários petróglifos, misteriosas inscrições feitas nas rochas na Idade do Bronze por volta de 2500 a.C.

Saímos do Albergue Aguncheiro ainda o dia não tinha nascido, o que nos proporcionou desfrutar de temperaturas mais agradáveis para caminhar e ainda de um magnifico nascer do sol. Seguimos paralelamente à costa até confluir com a estrada e ciclovia PO-552, no lugar de Pedra Rubia seguimos um caminho de terra batida à esquerda, que volta mais à frente à estrada PO-552, a qual seguimos por mais uns metros até encontrar a seta amarela a indicar o caminho do outro lado da estrada. Com cuidado atravessamos e iniciamos a subida para a serra, um troço selvagem e solitário com caminhos de terra e pedras, sem dúvida uma das mais belas desta etapa. Ao longo deste caminho pelo monte, “Camiño da Portela”, tivemos de abrir e fechar vários portões, mas não vimos cavalos selvagens, comuns neste sítio. São uma raça local e são usados no famoso festival de “Curros” ou “Rapa das Bestas” realizadas em vários locais entre maio e julho, onde uma multidão acurrala os cavalos para os meter no “curro” (recinto fechado), para rapar-lhes a crina e marca-los.

Ao longo da subida para a serra as panorâmicas sobre o Cabo Silleiro e o seu farol são magnificas, com o farol e o azul do oceano como pano de fundo. Fomos ganhando altitude, até superarmos a elevação do farol, sem dúvida, uma das partes mais bonitas, mágicas e solitárias desta etapa. O farol foi construído em 1924 para substituir o anterior de 1862, num perigoso ponto de navegação devido aos recifes, à proximidade das ilhas Cíes e Estelas e à entrada da Ria de Vigo.

Continuamos por um caminho muito antigo, talvez romano, com lajes de pedra, usadas durante séculos tanto para o pastoreio do gado como para comerciantes (podemos ver algumas marcas nas pedras dos rodados das carroças). Passamos por outro portão e terminamos numa planície com afloramentos graníticos após os quais, sempre em frente, começa a descida pelo bosque até uma estrada asfaltada que seguimos ao encontro das primeiras casas do bairro do Cabreiro, na freguesia de Baredo.

Atravessamos Baredo na sua parte inferior, entre as casas e chalés, sem entrar no seu núcleo principal. Pouco depois de passar uma cruz de pedra modesta, fomos pelo caminho do Rio Pequeno, por asfalto, e no final viramos acentuadamente para a esquerda para seguir a estrada de Baredo (EP-2203), onde existe um miradouro para as Ilhas Cies. Um pouco à frente chegamos a uma encruzilhada, viramos à esquerda, passando por um viaduto sobre a Autoestrada do Val Miñor (AG-57). Logo de seguida viramos à direita e seguindo as setas amarelas chegamos às casas no bairro de San Anton, a maior área de Baiona. Começamos a descer pelas ruas para a cidade, encontramos a capela de Santa Liberata e 50 metros à frente a ex-Colexiata de Santa Maria, fundada no século XII por monges cistercienses do mosteiro próximo de Oia, com fachada românica e naves interiores interessantes. O caminho continua ao longo da rua da igreja e gira pelos degraus da bela Rúa Manuel Valverde, que desce em direção à Praza do Concello. Conhecida na Idade Média como Erizana, a cidade de Baiona era um ponto estratégico para o comércio e defesa do estuário de Vigo. O melhor exemplo de sua importância é a fortaleza de Monterreal, construída entre os séculos XI e XVII, que agora abriga um Parador Nacional.

Atravessamos Baiona com o passeio marítimo do porto à nossa esquerda até entrar em Santa Cristina da Ramallosa (freguesia de Baiona) e entramos na paroquia A Ramallosa pela Ponte Romana da Ramallosa, do século XIII, sobre o Rio Miñor que é a fronteira entre os municípios de Baiona e Nigrán. Não devemos confundir as duas "Ramallosas": Santa Cristina da Ramallosa (também conhecida como Sabarís) pertence ao município de Baiona, e o vizinho San Pedro da Ramallosa (ou simplesmente A Ramallosa) pertence a Nigrán. São duas paróquias de diferentes municípios.

Depois de atravessar a Ponte Romana d`A Ramallosa temos de decidir o caminho a seguir em direcção a Vigo: à direita, temos as setas amarelas da estrada oficial pelo interior, e à esquerda, paralela ao rio e à ciclovia, as setas verdes da rota alternativa ao longo da costa. Vamos seguir esta última opção, o itinerário pelo litoral até a cidade de Vigo, passando por várias praias, muito populares no verão, e sempre com vista para as Ilhas Cies.

A partir daqui continuamos ao longo do rio por uma faixa pedonal até chegar à Foz do Rio Miñor, Rua Gonzalo Torrente Ballester, que segue a estrada em direção noroeste e seguindo as setas verdes e amarelas, do outro lado da pequena península de Monte Lourido, vamos chegar à Praia América. Areal extenso e muito popular com águas azul-turquesa e casas ao longo da avenida. No final da praia, passamos pela foz do Rio Muiños, e chegamos à Praia de Panxón. Esta praia em forma de arco é mais urbana, com edifícios em toda a frente. Seguimos o passeio marítimo e Rúa Tomás Mirambell passando por outra praia mais tranquila, Praia da Madorra. Sempre na mesma rua, depois de subir uma colina com casas, descemos à Praia Patos. Estamos numa bela enseada entre dois pontos rochosos, com as silhuetas das ilhas Cíes bem definidas no horizonte.

O caminho continua pela Praia das Canas, no final da qual seguimos as ruas asfaltadas paralelas à estrada PO-305 até à Praia do Portiño que atravessamos pelo seu areal, agora subimos os degraus entre casas. Seguimos ao longo da estrada (Avenida Ricardo Mella) que deixamos para alcançar a Praia de Canido. Passamos pelas escavações romanas do século IV dC. Continuamos paralelos ao litoral pela Praia do Vao, onde vemos um cruzeiro junto às rochas, até chegarmos à foz do Rio Lagares, que atravessamos por uma ponte, ao lado do campo de futebol Samil.

Continuamos ao longo da costa e chegamos à grande Praia de Samil, a mais popular e usada pelo povo de Vigo. A partir daqui, tivemos dificuldade em encontrar as indicações do caminho, mas também qualquer caminho ao longo da costa leva-nos ao centro de Vigo. Até aqui já percorremos 31 quilómetros, caso estejam cansados já podem seguir para o alojamento de táxi ou autocarro, porque ainda faltam aproximadamente 9 quilómetros. Nós continuamos, a pé, os últimos quilómetros em direção ao centro de Vigo, passamos pelos Estaleiros e Porto de Vigo e chegamos à Praza do Berbés, onde seguimos a Rúa Real até chegarmos à Igreja Colegiada de Santa María e Praza da Constitución, cheia de “Tapearias” e restaurantes. Estamos no centro histórico da cidade, agora seguimos pela Porta do Sol e Rúa do Príncipe, que seguimos até entroncar com a Rua de Urzáiz. Pouco depois intersetamos a Avenida da Gran Via, aqui fizemos um desvio do “caminho” em direção ao Kaps Hostel de Vigo, o alojamento escolhido para a pernoita nesta cidade. Por enquanto não há albergue para peregrinos na cidade, mas existe uma grande oferta de alojamento a preços acessíveis entre albergues, hósteis e pensões.

Apesar de não ser capital provincial, Vigo é a maior cidade de toda a Galiza. Mesmo com a sua má reputação como cidade industrial, é muito mais interessante e animada do que parece. A cidade está cheia de esculturas urbanas, na praça central da Porta do Sol temos o Sireno, metade humanoide e metade peixe, empoleirado no topo de uma coluna, e o Dinoseto, uma escultura vegetal na forma de um dinossauro querido para o povo de Vigo, especialmente para as crianças. No porto há outra escultura dedicada ao escritor Jules Verne (1828-1905), que criou um capítulo no seu romance de 20.000 léguas submarinas no estuário de Vigo. As tapas em Vigo são impressionantes, embora seja necessário estar bem informado para localizar as melhores zonas de tapas gratuitas, em função do bar e da hora podemos ter, não uma, mas até três ou quatro tapas gratuitas com cada bebida.


FICHA TÉCNICA DA ETAPA

Inicio: Porto Mougás
Fim: Vigo
Percurso: Porto Mougás - Pedra Rubia - O Cabreiro - Baiona - A Ramallosa - Panxón - Vigo
Extensão: 39,7km
Marcha efetiva: 8h09min
Pernoita: Kaps Hostel Vigo

Informação sobre o Kaps Hostel Vigo
Localização: Carretera Emilia Pardo Bazán,12 (Carretera Provincial, 12)
36204 Vigo
Coordenadas: 42º 13' 39.46" N | 8º 43' 7.1" W
Contactos:
Telefones: 0034 986 110 010 | 0034 886 142 902
E-mail: reservas@hostelvigo.com
Página Web: www.hostelvigo.com

AS ETAPAS
CAMINHO PORTUGUÊS DA COSTA (1ªETAPA) SÉ DO PORTO - VILA DO CONDE
CAMINHO PORTUGUÊS DA COSTA (2ªETAPA) VILA DO CONDE - MARINHAS
CAMINHO PORTUGUÊS DA COSTA (3ªETAPA) MARINHAS - VIANA DO CASTELO
CAMINHO PORTUGUÊS DA COSTA (4ªETAPA) VIANA DO CASTELO - CAMINHA
CAMINHO PORTUGUÊS DA COSTA (5ªETAPA) CAMINHA - PORTO MOUGÁS
CAMINHO PORTUGUÊS DA COSTA (6ªETAPA) PORTO MOUGÁS - VIGO
CAMINHO PORTUGUÊS DA COSTA (7ªETAPA) VIGO - PONTEVEDRA

O CAMINHO PORTUGUÊS DA COSTA

Sobre o Caminho Português, tal como para todos os outros, não se pode falar com rigor de um único caminho. O Caminho Português da Costa, que liga o Porto a outros concelhos costeiros, com a alternativa de ligação à Galiza, ultrapassando o rio Minho em La Guardia (frente a Caminha), Goian (através de Vila Nova de Cerveira) ou mesmo Tui (por Valença do Minho) era, segundo alguns historiadores, um dos eixos mais importantes para alcançar a casa do apóstolo em Santiago de Compostela, ganhando a devida importância somente na época moderna, a partir do século XV, sendo utilizado pelas populações costeiras e pelos que desembarcavam nos portos marítimos.

O Caminho Português da Costa é aquele em que a simplicidade das gentes enobrece os lugares históricos e embeleza as paisagens naturais. Cada passo é acompanhado por um suave cheiro a maresia que dá força à mente, colocando à prova o corpo, rumo ao objetivo traçado. Cada dia oferece momentos para serem saboreados e apreciados, onde a imensidão do oceano contrasta com as montanhas que delimitam o Caminho, criando um misto de emoções de suster a respiração. As gentes do mar, com a sua autenticidade, tratam o caminheiro de forma afável e orgulhosa, sem se escusarem a apoiarem cada peregrino na sua missão de alcançar o próximo marco. O Caminho da Costa tem uma espiritualidade própria, vivida de forma única por cada peregrino, o que torna cada viagem, através da natureza em estado puro, numa caminhada que tem tanto de serena como de emocionante. As montanhas de uma beleza singular cruzam os vales que refletem o brilho dos rios e riachos, refrescando assim as passadas de quem por ali passa e renasce. Após cada curva, um novo cenário idílico acompanhado pelo mar. É que só neste caminho é que se pode apreciar a relação entre as tranquilas praias e as fortes ondas do Atlântico. A aragem do mar, com o seu característico cheiro a sargaço a secar nos areais, que o mar traz e leva, compõe um quadro perfeito. Ao longo do caminho, assistimos, através destas paisagens, à personificação de muitos momentos da vida que levam o pensamento a encontrar um sentido. Pelos centros históricos escutam-se estórias sobre os que passaram, partilhadas pelas gentes que recebem. A admiração e sedução por cada momento ficam guardadas, apelando a um regresso, rápido, por este Caminho. Este é o trilho para quem procura novas sensações, que ultrapassam o corpo e aclaram a mente, através de uma viagem em que o espiritual se completa com o interesse cultural e paisagens de tirar o fôlego.

Descobre o teu Caminho...

Fonte: http://www.visitporto.travel/Lists/ISSUUDocumentos/CaminhosSantiago_CaminhoDaCosta.pdf



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A equipa Caminhantes

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