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Coordinates 2038

Uploaded October 29, 2018

Recorded October 2018

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near Nossa Senhora da Ajuda, Viana do Castelo (Portugal)

FOTOS DESTA E DE OUTRAS TRILHAS EM ”CAMINHANTES"

O “Caminho Português da Costa” aqui traçado segue principalmente a orla marítima a partir do burgo portuense passando por Matosinhos, Maia, Vila do Conde, Póvoa de Varzim, Esposende, Viana do Castelo, Caminha, La Guardia, Baiona e Vigo antes de se juntar com o Caminho Central em Redondela até Pontevedra. Aqui optamos por seguir a Variante Espiritual passando por Armenteira, Vilanova de Arousa e Pontecesures onde se volta a juntar com Caminho Central até à Catedral de Santiago de Compostela.

4ª ETAPA
VIANA DO CASTELO - CAMINHA


Saímos do albergue para o pequeno-almoço na confeitaria “Leitaria do Carmo”, onde se apregoa ter “o melhor jesuíta, porquê? porque sim!”. Comemos o afamado jesuíta e seguimos caminho em direção ao burgo de Viana do Castelo, passando pela Sé Catedral. Trata-se de uma igreja secular, que é catedral desde 1977. A construção da Igreja Matriz de Viana do Castelo remonta à primeira metade do século XV, influenciada pela estética gótica. A região, situada entre os rios Minho e Lima sempre desfrutou de uma certa autonomia, tendo a sua sede religiosa sucessivamente em Tuy (de 569 a 1362), em Valença (de 1382 a 1444) e em Ceuta (de 1444 a 1514). Ainda assim, foi apenas em novembro de 1977, satisfazendo uma aspiração secular das gentes da região, que o papa Paulo VI autorizou a criação da diocese de Viana do Castelo, elevando então a Igreja Matriz a Sé Catedral.

Logo de seguida estamos na Praça da República, local dos Antigos Paços do Concelho. Este edifício dos Antigos Paços do Concelho é um edifício singular, possui uma planta retangular simples de dois pisos rematados com merlões. A fachada principal, no piso inferior, apresenta três arcos quebrados, sendo o central o menor, encimados por três janelas de sacada com guarda de ferro assentes em modilhões, pertencentes ao piso superior. Sobre as janelas podemos observar igualmente três símbolos heráldicos, sendo o da esquerda a caravela do escudo de Viana, ao centro o escudo de Portugal, com elmo como timbre, moldurado e encimado pela Cruz de Cristo, e finalmente à direita a esfera armilar. Este singular edifício é dos muitos que em 1910 entrou para a classificação de Monumento Nacional.

O percurso segue por entre as ruas da cidade rumo a norte, passamos pela Igreja dos Santos Mártires e uma zona residencial já na saída da cidade. Seguimos sempre por estrada pelas localidades de Sobreiro e Areosa, destaque para umas alminhas do ano 1898 e a Quinta e Capela da Boa Viagem. Magnifico modelo de arquitetura civil, erudita, datada do século XVIII. Recentemente classificada como Imóvel de Interesse Público, em conjunto com a Capela, a Alameda das Oliveiras e o Cruzeiro.

Continuamos a percorrer as estradas locais seguindo para a localidade de Troviscoso e Carreço, onde passamos pela sua Igreja Paroquial, cuja primeira referência conhecida remonta ao século X, "et Oori et Karrezo". O percurso segue pela localidade de Carreço, passa pelo Albergue Casa do Sardão, que poderá ser uma opção de pernoita (Telm. 961790759 | Email: [email protected]), e entra num caminho de terra do Monte do Carreço em direção ao Convento de São João de Cabanas. Mosteiro beneditino de fundação bastante antiga, mas com feição actual maneirista devido às obras do séc. XVII. De pequenas dimensões e planimetria irregular, é constituído por igreja de planta longitudinal e nave única, uma torre sineira e dependências conventuais com pequeno claustro. Predominam as linhas sóbrias, características do Maneirismo. Alguma da talha dos altares é já barroca e o da capela-mor, deve já datar de fins do Séc. XIX. A fundação primitiva do mosteiro de Cabanas data de 564, sendo atribuída a sua edificação a S. Martinho de Dume. Nas centúrias seguintes, o mosteiro prosperou economicamente, tornando-se senhor de todas as terras circundantes. Segundo as Inquirições de 1258 o mosteiro de Cabanas era de padroado real, tendo sido D. Sancho I a definir os seus limites em 1187. Sucederam-se os comendatários, e cerca de 1382 o mosteiro passou para a Ordem de São Bento, tornando-se uma casa de convalescença e repouso de doentes.

O Caminho Português da Costa contínua de terras de Afife para terras de Âncora em grande parte por caminhos antigos e irregulares, atravessamos o Rio Âncora por uma ponte antiga de pedra para dar entrada nos limítrofes de Vila Praia de Âncora. Seguimos pelo casario da cidade em direção ao Oceano Atlântico onde encontramos o Forte da Lagarteira. Fortificação marítima abaluartada de pequenas dimensões, apresenta planta poligonal estrelada, formada por quatro baluartes laterais e bateria ressaltada pelo lado do rio. Os seus muros, em cantaria de pedra, apresentam guaritas facetadas nos vértices. Embora alguns autores acreditem que a moderna fortificação do local remonte à época da Guerra da Restauração (1640-1668), é mais correto atribuí-la ao reinado de Pedro II de Portugal (1667-1705), que fez reforçar as defesas da linha fronteiriça do rio Minho e da costa oceânica ao sul da sua foz.

Agora o percurso acompanha a orla marítima até à Capela de Santo Isidoro, situada junto ao mar, no extremo de Vila Praia de Âncora, na freguesia de Moledo. A sua origem não é conhecida, mas sabe-se que já existia no século XIV. É uma ermida de pequenas dimensões, com o tecto totalmente em abóbada de granito, com um adro coberto. Foi-lhe acrescentada, no lado norte, uma pequena sacristia. Continuamos o percurso pelo litoral de Moledo, onde disfrutamos de uma magnifica panorâmica da sua Praia e Forte de Ínsua, a sua estrutura também remonta ao contexto da Guerra da Restauração (1640-1668), sob o reinado de João IV de Portugal (1640-1656).

A aproximação ao núcleo urbano de Caminha é realizado ao longo de uma recta infindável, designada de Rua do Pombal, que culmina na Capela da Sr.ª da Agonia, situada no Largo da Senhora da Agonia, é uma das capelas mais recentes de Caminha cuja construção remonta aos meados do séc. XVIII. No terceiro fim-de-semana de agosto festeja-se a festa em honra de Nossa Senhora da Agonia. Já em Caminha, passamos pela Praça Conselheiro Silva Torres, onde podemos contemplar o magnífico Chafariz de Caminha e a Torre do Relógio. A Torre do Relógio é sem dúvida o monumento mais emblemático da vila, uma vez que é o único de treze torreões que integravam as muralhas do castelo. Na atualidade esta torre faz parte dos edifícios que integram o Largo do Terreiro. Esta Torre foi edificada no século XIII, aquando do castelo. É o único torreão que subsiste intacto, e na sua funcionalidade inicial servia de Torre de Menagem. É a única remanescente das três portas que se rasgavam na primitiva cerca da vila. Voltada a sul era denominada como Porta de Viana, uma vez que por ali se ia a Viana do Castelo, e constituía-se no principal acesso da vila. A partir do século XVII recebeu o relógio público da vila, passando a ser conhecida como Torre do Relógio. Encontra-se classificada como Monumento Nacional desde 1951. Daqui seguimos à direita pelo desvio em direção ao Albergue de Peregrinos de Caminha, local de pernoita para quem pretende continuar o “caminho”. O alojamento tem um custo de 5 euros (preço em 2018), sendo obrigatório apresentar a respectiva credencial.

Por agora, e por razões profissionais, esta foi a última etapa para nós, vamos regressar a casa de comboio, deixando o compromisso de continuar o “caminho” numa próxima oportunidade…


FICHA TÉCNICA DA ETAPA

Inicio: Viana do Castelo
Fim: Caminha
Percurso: Viana do Castelo - Carreço - Vila Praia de Âncora - Caminha
Extensão: 28km
Marcha efetiva: 6h12min
Pernoita: Albergue de Peregrinos de Caminha

Informação sobre o Albergue de Peregrinos de Caminha
Localização: Avenida Padre Pinheiro, 36 - Caminha
Coordenadas de Localização Geográfica: 41º52'34.86''N 8º50'3.67''W
Horário de Funcionamento: Registo de peregrinos das 16.00h às 22.00h Encerramento das portas 22.00h Aberto todo o ano.
Capacidade: 32 Lugares
Contactos:
Telefones: 914 290 431 | 926 399 235
E-mail: [email protected]

Promotores: Associação dos Amigos do Caminho de Santiago de Viana do Castelo, Câmara Municipal de Caminha e Santa Casa da Misericórdia de Caminha
Instalações:
1 Recepção
1 Camarata
1 Quarto
1 Quarto de Hospitaleiro
1 Cozinha
1 Lavandaria
2 Instalações Sanitárias com chuveiro (M&F)
2 WC´s (M&F)
Equipamentos e Acessórios:
16 Beliches
1 Placa eléctrica
1 Microondas
1 Frigorífico
1 Lava loiças
1 Tanque
1 Estendal
Pratos, copos, talheres, panelas
1 Caixa de donativos
1 Livro de visitas de peregrinos
1 Livro de registo de peregrinos
1 Carimbo
1 Caixa de primeiros socorros
sem máquina de lavar roupa, máquina de secar roupa, suporte para bicicletas, secador de cabelo

AS ETAPAS
CAMINHO PORTUGUÊS DA COSTA (1ªETAPA) SÉ DO PORTO - VILA DO CONDE
CAMINHO PORTUGUÊS DA COSTA (2ªETAPA) VILA DO CONDE - MARINHAS
CAMINHO PORTUGUÊS DA COSTA (3ªETAPA) MARINHAS - VIANA DO CASTELO
CAMINHO PORTUGUÊS DA COSTA (4ªETAPA) VIANA DO CASTELO - CAMINHA


O CAMINHO PORTUGUÊS DA COSTA

Sobre o Caminho Português, tal como para todos os outros, não se pode falar com rigor de um único caminho. O Caminho Português da Costa, que liga o Porto a outros concelhos costeiros, com a alternativa de ligação à Galiza, ultrapassando o rio Minho em La Guardia (frente a Caminha), Goian (através de Vila Nova de Cerveira) ou mesmo Tui (por Valença do Minho) era, segundo alguns historiadores, um dos eixos mais importantes para alcançar a casa do apóstolo em Santiago de Compostela, ganhando a devida importância somente na época moderna, a partir do século XV, sendo utilizado pelas populações costeiras e pelos que desembarcavam nos portos marítimos.

O Caminho Português da Costa é aquele em que a simplicidade das gentes enobrece os lugares históricos e embeleza as paisagens naturais. Cada passo é acompanhado por um suave cheiro a maresia que dá força à mente, colocando à prova o corpo, rumo ao objetivo traçado. Cada dia oferece momentos para serem saboreados e apreciados, onde a imensidão do oceano contrasta com as montanhas que delimitam o Caminho, criando um misto de emoções de suster a respiração. As gentes do mar, com a sua autenticidade, tratam o caminheiro de forma afável e orgulhosa, sem se escusarem a apoiarem cada peregrino na sua missão de alcançar o próximo marco. O Caminho da Costa tem uma espiritualidade própria, vivida de forma única por cada peregrino, o que torna cada viagem, através da natureza em estado puro, numa caminhada que tem tanto de serena como de emocionante. As montanhas de uma beleza singular cruzam os vales que refletem o brilho dos rios e riachos, refrescando assim as passadas de quem por ali passa e renasce. Após cada curva, um novo cenário idílico acompanhado pelo mar. É que só neste caminho é que se pode apreciar a relação entre as tranquilas praias e as fortes ondas do Atlântico. A aragem do mar, com o seu característico cheiro a sargaço a secar nos areais, que o mar traz e leva, compõe um quadro perfeito. Ao longo do caminho, assistimos, através destas paisagens, à personificação de muitos momentos da vida que levam o pensamento a encontrar um sentido. Pelos centros históricos escutam-se estórias sobre os que passaram, partilhadas pelas gentes que recebem. A admiração e sedução por cada momento ficam guardadas, apelando a um regresso, rápido, por este Caminho. Este é o trilho para quem procura novas sensações, que ultrapassam o corpo e aclaram a mente, através de uma viagem em que o espiritual se completa com o interesse cultural e paisagens de tirar o fôlego.

Descobre o teu Caminho...

Fonte: http://www.visitporto.travel/Lists/ISSUUDocumentos/CaminhosSantiago_CaminhoDaCosta.pdf



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