Time  8 hours 38 minutes

Coordinates 3821

Uploaded September 9, 2020

Recorded May 2018

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near Cabo da Roca, Lisboa (Portugal)

O percurso

Um anel percorrido ainda em 2018, mas em Maio. Foram-se os frios do inverno que nos acompanhavam na etapa anterior, e agora, mesmo neste terreno exposto ao vento e salinidade, as flores exibem-se por todo o lado.

Logo pouco depois da Roca fica a praia da Ursa, onde não descemos, tinha acontecido um aluimento do qual tinha resultado a morte de campistas, não sabíamos se ainda existia instabilidade da arriba... mas passamos bem perto do nível do mar.

Até à Adraga a sinalização da GR11 é muito deficiente, mas a nossa opção foi fácil de seguir: o mais possível junto da falésia.
A costa é mais de mesmo, que é como quem diz, uma sucessão de pregas que descem até lá abaixo ao mar, dispostas ao longo de uma interminável linha sinuosa. Uma beleza de texturas a emoldurar um azul infinito.
Aqui e ali, abrigada numa dessas pregas, uma meia lua de areia convida a ir passar o dia longe de tudo.
Mas a nossa missão é caminhar, e andamos, andamos, até atingir o promontório frente às Azenhas do Mar. Pelo caminho ficaram autênticos monumentos, como a Praia da Ursa ou a Praia da Adraga e os seus Fojo dos Morcegos ou a Pedra de Alvidrar.
Todo aquele promontório é um spot procurado pelos turistas para fotografar a bela aldeia que se empoleira atrevidamente sobre o mar, fazendo lembrar outras da Itália ou da Grécia.
Também já lá me desloquei na hora azul para uma foto, em Setembro de 2017:



À entrada das Azenhas do Mar surgem duas zonas de picnic muito convenientes.
Almoçamos em uma delas e tomamos um café num barraco que fica sobranceiro às Piscinas.
Depois começamos o regresso pelo interior, uns quilómetros de asfalto, mas não foi tempo perdido. É uma zona calma e é curioso ver despontarem, aqui e ali, no meio de tanta "vivenda", as recordações de um passado rural bem próximo. Mais adiante voltamos à terra para seguir o PR7 / GR11 pelo meio de verdejante vegetação arbustiva desta plataforma costeira.
O caminho de regresso das Azenhas, para evitar zonas menos interessantes, acaba mesmo por tocar o caminho de ida na Adraga, mas depois volta a afastar-se. No final atinge-se a estrada de asfalto que leva ao farol, onde há que ter cuidado com o trânsito intenso. Mas são só uns 700 metros e estamos de volta ao carro.


Azenhas do Mar

O lugar desenvolveu-se ao longo da ribeira do Cameijo, na qual existiam azenhas (daí o nome). Provavelmente as primeiras foram construídas ainda no período da ocupação árabe.
O património construído é interessante, existem várias edificações no Estilo Português Suave, com azulejaria nas fachadas, como é o caso da escola e a residência para o professor.
A Escola Primária foi constituída em 1927 e serviu de modelo aos edifícios das escolas primárias do Estado Novo. Elaborada pelo arquiteto Raul Martins, o edifício tem como destaque um painel de azulejos com momentos ilustrativos da História de Portugal.
A população residente é de aproximadamente 800 habitantes.

A população, para além da moagem, dedicava-se à agricultura, com especial relevo para o vinho, e alguma pesca e recolha de mariscos (percebes e lapas).
Nos campos que circundam as Azenhas do Mar continua a cultivar-se vinha, principalmente a uva Ramisco, da qual se produz o afamado vinho de Colares. O chão de areia de Colares é muito famoso e isso não aconteceu por acaso: foi ele que salvou as videiras da região da devastação que a praga da filoxera (um inseto minúsculo, parecido com um pulgão) causou em toda a Europa no final do século XIX. Quando apareceu em Colares, o inseto não conseguiu sobreviver no chão de areia e até hoje em Colares existem videiras pré-filoxéricas, com mais de um século, e ainda produtivas. São algumas das videiras mais antigas de Portugal.
Em Agosto celebra-se São Lourenço, padroeiro destas terras e protector da vinha, com uma bênção junto do mar. A Capela de São Lourenço data dos finais do séc. XVI e está integralmente restaurada.

O desenvolvimento das Azenhas como estância balnear ocorreu em meados dos 30, depois de em 31 de Janeiro de 1930, ter sido inaugurada a linha do Eléctrico do Banzão até às Azenhas do Mar.

Aqui passou férias o rei D. Carlos I e as rainhas D. Amélia e D. Maria Pia. Muitos arquitetos do século XX aqui implantaram as suas criações, como Raul Lino, Norte Júnior e outros. Aqui viveu Ferreira de Castro e sobre ela escreveram Vergílio Ferreira ou José Saramago.
Lugar inspirador para pintores como Paula Campos, Júlio Pomar, Alfredo Keil e tantos outros, foi ainda estância dilecta de cineastas como Perdigão Queiroga, Beatriz Costa ou Carmen Dolores.

E este apontamento não ficava completo sem referir a atração principal da aldeia: a sua maravilhosa piscina oceânica para onde converge todo o pitoresco casario. Esta piscina está em contacto quase direto com o mar e este, de quando em quando, cavalga a rocha e arrefece a água que na parte de dentro é aquecida pelos raios do sol.

(Dados da wiki e site da câmara)


O Fojo da Adraga e a Lenda da Pedra de Alvidrar

O Fojo da Adraga ou dos Morcegos
A gruta vertical e funda (90 metros) do Fojo resultou da acção corrosiva da água das chuvas, através das fracturas existentes nas rochas calcárias, conjugada com a acção erosiva das ondas, que originaram um labirinto de grutas, cavernas e enormes fendas.
Consta que os Romanos acreditavam existir um Tritão a tocar búzio no fundo do buraco. Na realidade, seria o ruído causado pelas ondas, mas na época foi até enviada uma embaixada ao Imperador Tibério (entre o ano 14 e 34 d.C.) para relatar o fenómeno - facto relatado na ‘História Natural’ de Plínio, o Velho.

A Pedra de Alvidrar
A Pedra de Alvidar, situada entre a Praia da Adraga e Praia da Ursa, é uma enorme rampa, uma camada calcária do Jurássico superior que foi empurrada até ficar quase na vertical. Embora de difícil acesso é o paraíso dos pescadores mais destemidos.
Além ter sido usada no tempo dos romanos, como local para julgamentos de onde se atiravam os acusados, se sobrevivessem eram inocentes, se não, tinham sido mesmo os culpados… aliás, parece que Alvidrar significa em árabe julgar ou decidir, se calhar foram os Árabes que a baptizaram depois de saber da história!
Francisco de Almeida Jordão,que terá nascido em 1712, escritor e formado em cânones pela Universidade de Coimbra, em 1748 no livro “Relação do castelo e serra de Sintra e do que há que ver de raro em todo ele,” referindo-se à “Pedra de Alvidrar”, escreve:
«É toda escabrosa em declive até ao mar, de uma altura imensa, que foge o lume dos olhos quando se olha para baixo.Há homens tão bárbaros, que descem e sobem por ela descalços, que parece impossível, por um pequeno prémio».

Lenda de Alvidrar
O maligno Vulcano, seguindo ruins desígnios, pretendeu casar-se com uma esbelta princesa que já a outro prometera a sua mão. Pouco satisfeito com o inesperado facto, quis saber de quem se tratava. Furioso ficou quando soube que o futuro esposo da gentil princesa era o seu próprio sobrinho, filho primogénito da sua irmã.
Imediatamente acorreu à casa de sua irmã Zipa e queixou-se do seu desespero. Esta fez-lhe ver que nada tinha com o próximo enlace. Jovens e obedientes aos pais de cada um, tudo neles concorria para que fossem felizes. Em consciência nada teria a opôr-se e recomendou ao irmão prudência e resignação; a casta princesa não era para a sua idade, merecia um jovem como ela.
Vulcano não acatou os conselhos prudentes e nobres da irmã. Chegando a seus domínios, organizou fortíssima expedição que se dirigiu para as terras da princesa Al-Vidrar e de seu sobrinho Foje. Zipa veio ao seu encontro mas nada deteve Vulcano. Da cruenda batalha que se travou restam os corpos vulcanizados dos moços namorados aos quais chamamos PEDRA DE ALVIDRAR E O FOJE*.
In “Lendas Sintrenses” Recolha e relato de Luiz da Cunha Oliveira, 1968

Notas editadas de (https://www.vortexmag.net/pedra-de-alvidrar-um-dos-locais-mais-perigosos-e-misteriosos-de-sintra/)


A lenda da Praia da Ursa

Reza a lenda que há muitos milhares de anos atrás, quando a terra ainda se encontrava sob os gelos da glaciação, aqui vivia uma ursa com os seus filhotes.
Quando o degelo começou, e sabendo que as águas iam submergir grandes extensões da Terra, os deuses ordenaram a todos os animais que abandonassem o litoral. Mas a ursa recusou-se, ali era a sua casa, onde tinha nascido, e não arredou pé. Ela não sabia que aos Deuses não de desobedece.
Enfurecidos com o atrevimento, transformaram a ursa naquela grande pedra e os seus filhotes em pequenas rochas rodeando a mãe, e ali ficaram para todo o sempre...


O enigmático sítio do Alto da Vigia na Praia das Maçãs

Em Agosto de 1505, Dom Manuel I foi informado de um estranho acontecimento produzido num morro sobranceiro à Praia das Maçãs.
Ao abrigo do processo em curso de fortificação da costa portuguesa, o rei mandara construir uma vigia no local, mas as pás e os ferros dos operários, ao revolverem o solo, abriram inadvertidamente um portal para a Antiguidade. A seus pés, jaziam agora três aras com estranhas frases gravadas.
O rei foi informado e visitou o local – sabemo-lo através de duas cartas que Valentim Fernandes, membro da corte que fora um dos responsáveis pela introdução da imprensa em Portugal, escreveu a amigos na Alemanha. Nelas, narra a visita do rei ao local e dá conta de um episódio ainda mais curioso: Cataldo Sículo, um siciliano que viera para o país em 1485 e que deverá ter trazido com ele os ventos do Renascimento, acompanhou o rei na visita. Erudito, leu as frases em latim, interiorizou o conteúdo e improvisou de seguida um epigrama neolatino, explicando ao rei embevecido que as aras homenageavam o império português, descrevendo a profecia das sibilas, que previa o dia em que as pedras se virariam sobre si próprias e surgiriam à superfície na era maravilhosa em que as riquezas dos rios Ganges e Indo entrassem pelo Tejo.
(...)
No local, o ruído da rebentação constante embala o caminhante à medida que este perscruta o horizonte, abrangendo a reentrância do cabo da Roca à esquerda e o oceano infinito em frente.
À direita, um vale e a praia separam o Alto da Vigia das urbanizações da Praia das Maçãs. Girando para trás, avista-se a serra de Sintra, ou monte da Lua, como era conhecida no período romano.
A nossos pés, estende-se uma falésia quase vertical até ao mar. Gozando o momento, Cardim Ribeiro dispara: “Não encontra melhor local para implantar um santuário.”
(...)
O primeiro visitante de que há notícia foi o futuro bispo de Viseu e futuro embaixador de Dom Manuel I junto do papa, Dom Miguel da Silva. Recém-chegado de Itália em 1512, vinha imbuído do espírito do Renascimento e do culto das antiguidades clássicas. A curiosidade levou-o ao Alto da Vigia e ali reproduziu, com rigor, duas das três inscrições. “A terceira já estaria ilegível”, comenta a arqueóloga Teresa Simões, actual directora do MASMO. As duas inscrições reproduzidas davam conta de consagrações ao Sol e à Lua e ao Sol Eterno e à Lua, referências então desconhecidas no estudo da mitologia romana.
(...)
As crónicas vikings contêm um pequeno poema, descrevendo uma incursão violenta do rei Sigurd I em Sintra. Conjectura-se que o desembarque ocorreu na Praia das Maçãs. A confirmar-se, os vikings teriam certamente avistado o ribat islâmico no Alto da Vigia.
(... o tempo apaga tudo, aras desapareceram, vestigios ficaram soterrados, e vou supirmir aqui muito do texto do artigo...)
Em 2008, no contexto de trabalhos arqueológicos para viabilizar um passadiço previsto para o Alto da Vigia, a equipa do MASMO, dirigida por Alexandre Gonçalves, iniciou as escavações. Como nas matrioskas russas, encontrou uma surpresa dentro de outra surpresa. Desmontada a vigia de Dom Manuel, começaram a aparecer construções estranhas, de época islâmica. “Não percebemos logo o que era”, lembra o arqueólogo. “Quando identificámos uma mesquita, um segundo edifício anexo de função utilitária e uma necrópole associada com vários sepultamentos orientados pelo rito islâmico, fez-se luz: era um ribat, um posto de defesa da costa e de recolhimento espiritual.” Trata-se aliás do segundo ribat conhecido em Portugal e o terceiro na Península Ibérica.
Os arqueólogos envolvidos em trabalhos árduos, muitas vezes presos por arneses quase no limite da falésia, começaram a atrair curiosos. Certo dia, encontrou-se uma ara romana implantada na estrutura muçulmana. “Estava virada ao contrário”, lembra Alexandre Gonçalves. “Virámo-la e ficámos encantados. Dizia ‘Sol e Oceano’ na primeira linha.”
“Essa ara descodifica tudo”, prossegue Teresa Simões. “Contém uma inscrição claramente do santuário e está em contexto islâmico de reutilização.” A equipa acabara de comprovar que o Alto da Vigia fora de facto o local de implantação de um santuário romano e, meio milénio depois, acolhera um ribat islâmico. “Uma vez mais, faz sentido a escolha do local”, comenta Cardim Ribeiro.
“O oceano é, na época, um deserto, um espaço não franqueado, propício à reflexão e ao recolhimento espiritual. As estruturas que encontrámos estão no último local possível para edificações. Para a frente, só fica a falésia.”
(...)

extractos do interessante artigo da National Geographic em https://nationalgeographic.sapo.pt/historia/grandes-reportagens/2327-o-enigmatico-sitio-do-alto-da-vigia



As pegadas de dinossaurios da Praia Grande

Estas pegadas foram impressas durante uma época em que a Serra de Sintra ainda não existia, e a região era constituída por planícies costeiras com lagunas litorais. Parte das pegadas deixadas sobre os finos sedimentos nas margens dessas lagunas foi preservada, protegida por sucessivas deposições de outros sedimentos, que se transformaram nos estratos que se podem ver hoje em dia.
Esta cobertura rochosa foi posteriormente dobrada na sequência da intrusão magmática que deu origem à serra de Sintra, há cerca de 80 milhões de anos.
Depois, o desgaste das camadas sedimentares superiores voltou a deixar as pegadas visíveis para nós, recém aparecidos no Planeta.
Foram descobertas em 24 de Abril de 1981, quando um estudante de Geologia analisou a laje quase vertical com as pegadas do Cretácico inferior, com cerca de 110 a 115 milhões de anos. As pegadas são muito fundas e com bom detalhe, correspondentes pelo menos a dois tipos de animais - herbívoros e carnívoros - num total de 66 pegadas, 55 das quais distribuídas por 11 rastos que parecem ter sido feitos por animais bípedes, estando as restantes aparentemente isoladas.


A Costa dos Anéis

O projecto começou há muito, vai sendo concretizado sem pressas. Não há agenda, não sei nem quando nem onde termina.
A ideia é simples: partindo de minha casa em Algés rumo a Norte, sempre junto da água, cobrir a costa de percursos em anel. Os percursos tocam-se, pelo que quem quiser meter uma tenda às costas pode ignorar o "lado terra" de cada anel e seguir sempre à vista do Azul (não é legal acampamento nem bivouac em Portugal fora das áreas autorizadas, eu não disse nada 🙂 )

Todos os percursos são em anel menos o primeiro, porque não achei interesse algum e fechar anéis na zona urbana: por isso a primeira etapa é uma anel que se faz a pé de Algés ao Estoril e de comboio no regresso. Esta é também a etapa menos desafiante e menos documentada fotográficamente.

Quanto aos outros anéis, o início pode ser no extremo Norte ou, mais frequentemente, no extremo Sul. A escolha é ditada pelas nossas conveniências de momento ou, geralmente, por um pormenor logístico: lugar conveniente para estacionar a viatura.


Etapas já feitas e respectivos links, se já publicados:
(links e imagens contidos nas descrições não são visíveis na app Wikiloc)
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Waypoint

Azenhas Do Mar

Provisioning

Café e minimercado Chitas

Monument

Farol Do Cabo Da Roca

Cave

Furna (Fojo da Adraga)

Summit

Marco geodésico (Calhau do Corvo)

Archaeological site

Pegadas dinossaurios da Praia Grande

Bridge

Poldras - Ribeira de Colares

Beach

Praia da Adraga

Beach

Praia da Aroeira

Beach

Praia da Ursa

Beach

Praia do Caneiro

Beach

Praia Grande

Waypoint

Ribeira

Archaeological site

Sítio Arqueológico do Alto da Vigia

Panorama

Zona de miradouro e picnic

Picnic

Zona de picnic

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