Time  9 hours 2 minutes

Coordinates 2690

Uploaded August 30, 2020

Recorded February 2018

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826 ft
31 ft
0
2.5
5.1
10.11 mi

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near Cabo da Roca, Lisboa (Portugal)

O percurso

O mal de não ter tomado notas em tempo real, nas etapas 1 a 6, é que agora, passados dois anos, tenho que "reconstituir o crime" a partir das fotos.

Mas não é esse o caso desta etapa, que deixou memórias bem vivas.

Parqueamos o carro junto do farol no Cabo da Roca, onde pelo menos em Fevereiro não há estacionamento limitado. Na ida para sul, a viagem foi feita sempre pelas arribas, descendo por trilhos escalabrados e escorregadios as abruptas falésias até quase junto da água, para depois subir empinados carreirinhos do lado oposto. E a montanha russa repetiu-se vezes sem conta, em tantas gargantas quantas as que as águas quiseram cortar ao longo dos milénios, vindas da pluviosa parede da serra de Sintra, em busca do seu lar: o oceano de onde antes se tinham antes evaporado, num ciclo eterno, qual corrente sanguínea deste Planeta vivo.
As paisagens, de sonho, intocadas.
E a civilização tão perto, mas tão longe. Incrível.

O regresso foi feito pelo interior e não desapontou: estamos a percorrer o sopé da Serra de Sintra, onde o clima exposto, ventoso e pluvioso proporciona uma vegetação densa e de pouca estatura. Biscaia, Figueira do Guincho, povoações de caminho que hoje são mais de veraneio mas que em tempos idos terão correspondido à fixação de gentes nos terrenos mais baixos, perto da serra, perto do mar... pescadores? pastores? e também aqui aproveitariam a força das águas que descem da serra em pequenos moínhos, suponho.

Curioso o topónimo Biscaia.
Consegui descorbir isto, que considero interessante:
Este topónimo não é privativo desta região: encontra-se também nos concelhos de Cinfães, Évora e Montemor-o-Novo. Há ainda Herdade da Biscaia, Herdade do Biscainho e Foros do Biscainho, respectivamente, nos concelhos de Alcácer do Sal e Coruche, nos quais, como se vê, figuram os nomes étnicos dos naturais de Biscaia, província de Espanha. É, pois, Biscaia, segundo suponho, povoação fundada por gente oriunda do país vizinho, como Galegos, Galiza, Castela, Córdova, Navarra, etc.. Biscaia tinha 5 vizinhos, em 1527 e 12, com 9 homens e 3 mulheres, em 1758. Em 1960, 50 habitantes.

Em pouco tempo começamos a ter o Farol em linha de vista. Pura ilusão: até lá chegar há que subir e descer mais uns tantos barrancos.
Estávamos ainda perto do solstício. Os dias eram curtos, muito curtos. Partimos quando ainda o sol ia baixo; mas com a demora causada pelo terreno até ao Forte do Guincho, e as muitas fotos, quando terminamos já o sol se punha, espectáculo tradicionalmente muito participado naquele local.
Um chá quente rápido, que o restaurante ia fechar, e quando saímos já o quarto crescente lunar se divisava, elegante, lá no alto.
Um dia em cheio.

O percurso não é complicado, para quem esteja habituado a trajectos de montanha. Marquei-o aqui no Wikiloc como difícil por comparação com outros que tenho partilhado, aos quais atribuí nível médio.


O Cabo da Roca

O Cabo da Roca é o ponto mais ocidental de Portugal Continental e da Europa continental.




O cabo forma o extremo ocidental da Serra de Sintra, precipitando-se sobre o Oceano Atlântico. O acesso dos visitantes faz-se a uma altitude de 140m, não sendo possível descer até à ponta do cabo.
Camões descreveu-o como o local “Onde a terra se acaba e o mar começa” (in Os Lusíadas, Canto III).
Um padrão em pedra com uma lápide assinalam este ponto notável.

O Farol do Cabo da Roca

O farol começou a funcionar em 1772, é o terceiro mais antigo da costa portuguesa. Depois de uma remodelação (pouco eficaz) em 1843, com uma nova plataforma rotativa equipada com seis lampadas de Argand com espelhos parabolicos, em 1897 começou a funcionar um sistema electrico com geradores próprios, com uma lâmpada a petróleo de backup. A fonte luminosa era constituída por 8 lâmpadas de arco providas de reguladores, do sistema de Baron, modificadas por A. Berjol. O sistema de reserva era composto por um candeeiro de 3 torcidas. Havia ainda uma sirena a vapor.

Em 1917 foi construído um edifcio para albergar a "fábrica" de acetileno para um novo sistema de lâmpadas e em 1932 a sirene passou a ser de ar comprimido.
Em 1937 foi instalado um sistema de rádio-farol, e após a segunda guerra, em 1947 foi instalado um novo aparelho óptico (aeromarítimo) de 3ª ordem (500mm distância focal), que ainda hoje ali se mantém. A lâmpada usada era de 3000 Watts.
No fim da década de 40 chegou lá água e saneamaneto, e em 1982 chegou a electricidade. A lâmpada que até aí era de 3000W foi substituída por uma de halogéneo de 1000W e em 2009 esta foi substituída por uma de iodetos metálicos OSRAM HCI-TM 250W/830 WDL. A sirene passou a ser eléctrica, e em 1990 o farol foi automatizado e a produção de acetileno terminada.
A sirene foi desactivada em 2000 e em 2001 desligado o sistema rádio.

Altura: 22 m
Altitude: 165 m
Alcance: 48,1Km


A Costa dos Anéis

O projecto começou há muito, vai sendo concretizado sem pressas. Não há agenda, não sei nem quando nem onde termina.
A ideia é simples: partindo de minha casa em Algés rumo a Norte, sempre junto da água, cobrir a costa de percursos em anel. Os percursos tocam-se, pelo que quem quiser meter uma tenda às costas pode ignorar o "lado terra" de cada anel e seguir sempre à vista do Azul (não é legal acampamento nem bivouac em Portugal fora das áreas autorizadas, eu não disse nada 🙂 )

Todos os percursos são em anel menos o primeiro, porque não achei interesse algum e fechar anéis na zona urbana: por isso a primeira etapa é uma anel que se faz a pé de Algés ao Estoril e de comboio no regresso. Esta é também a etapa menos desafiante e menos documentada fotográficamente.

Quanto aos outros anéis, o início pode ser no extremo Norte ou, mais frequentemente, no extremo Sul. A escolha é ditada pelas nossas conveniências de momento ou, geralmente, por um pormenor logístico: lugar conveniente para estacionar a viatura.


Etapas já feitas e respectivos links, se já publicados:
(links e imagens contidos nas descrições não são visíveis na app Wikiloc)
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Waypoint

Arneiro

Waypoint

Biscaia

Panorama

Cabo Da Roca

Monument

Farol Do Cabo Da Roca

Waypoint

Figueira do Guincho

Panorama

Final de dia no Cabo da Roca

Ruins

Forno de Cal

Ruins

Forte do Guincho

Panorama

os últimos passos

Waypoint

Poste indicador GR11 E9 Biscaia e PR4 CSC

Information point

Posto de Turismo

Beach

Praia da Grota; Pedreira

Beach

Praia de Assentiz

Beach

Praia do Louriçal

Panorama

Praia Porto do Touro - vista Guincho e Cabo Raso

Provisioning

Restaurante Abano

Panorama

Uma costa acidentada!

Ruins

Velha ruína

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